
Um novo estudo da Concawe concluiu que os combustíveis de baixo carbono, incluindo misturas com HVO (óleo vegetal hidrotratado) e FAME (biodiesel), podem contribuir de forma significativa para a redução das emissões de CO2 dos veículos pesados, mantendo simultaneamente elevados padrões de controlo de poluentes e conformidade com os futuros requisitos da norma Euro 7.
Apresentado no Relatório n.º 9/26 da Concawe, o trabalho avaliou o desempenho de um camião pesado Euro VI E de última geração, submetido a condições de teste equivalentes às previstas para a futura regulamentação Euro 7. O objetivo foi analisar o impacto de diferentes combustíveis de baixo carbono nas emissões poluentes e de dióxido de carbono, bem como verificar a capacidade da tecnologia atual em cumprir os exigentes limites regulatórios que entrarão em vigor nos próximos anos.
Os ensaios recorreram a cinco formulações distintas de combustível, incluindo diesel convencional, misturas com diferentes percentagens de biodiesel e combustíveis avançados à base de HVO, culminando num combustível composto por 100% HVO. Os testes foram realizados em banco de ensaio para veículos pesados, utilizando ciclos de condução representativos das futuras condições Euro 7 e cenários urbanos particularmente exigentes para os sistemas de controlo de emissões.
Os resultados revelaram que o veículo testado cumpriu confortavelmente os limites de emissões da Euro 7 em praticamente todos os parâmetros analisados, independentemente do combustível utilizado. O único composto a aproximar-se dos novos limites regulamentares foi o óxido nitroso (N2O), embora os investigadores salientem que este poluente é gerado maioritariamente nos sistemas de pós-tratamento e pode ser controlado através da utilização de diferentes materiais catalíticos.
Um dos aspetos mais relevantes do estudo foi a confirmação de que os combustíveis de baixo carbono com componentes parafínicos, como o HVO, permitem reduzir as emissões de CO2 no escape e melhorar a eficiência energética do grupo motopropulsor. Segundo a Concawe, estas soluções oferecem benefícios duplos: reduzem as emissões diretas do veículo e contribuem para uma menor pegada carbónica ao longo do ciclo de vida do combustível.
Os investigadores verificaram ainda que as diferenças nas emissões de poluentes regulados entre os vários combustíveis foram praticamente negligenciáveis. Isto deve-se à elevada eficácia dos modernos sistemas de controlo de emissões dos motores diesel, que conseguem compensar variações nas características dos combustíveis através de sistemas avançados de gestão e controlo.
O estudo reforça assim a ideia de que os combustíveis renováveis e de baixo carbono podem desempenhar um papel importante na descarbonização do transporte rodoviário pesado, aproveitando a infraestrutura existente e a atual tecnologia dos motores de combustão interna. Além de contribuírem para a redução das emissões de CO2, estes combustíveis mostraram não apresentar desvantagens relevantes ao nível das emissões poluentes, revelando mesmo algumas vantagens em parâmetros como as emissões de NOx do motor, hidrocarbonetos (HC) e monóxido de carbono (CO) durante o arranque a frio.
Nas conclusões do relatório, a Concawe destaca que existe uma diferença mínima entre o desempenho ambiental dos veículos pesados Euro VI mais avançados e os requisitos exigidos pela futura norma Euro 7. A entidade considera que a combinação de sistemas modernos de pós-tratamento com combustíveis de baixo carbono, como o HVO e o FAME, representa uma via credível e imediata para acelerar a redução da pegada carbónica do setor dos transportes pesados, sem comprometer a conformidade ambiental nem a eficiência operacional dos veículos.