
A FuelsEurope considera positivo o reconhecimento, pelo Conselho Europeu, da importância estratégica da indústria da refinação, mas alerta que as medidas de curto prazo são insuficientes para garantir a competitividade, a segurança energética e a autonomia estratégica da União Europeia.
Na sequência da reunião do Conselho Europeu de 15 de outubro, durante a qual os líderes dos 27 Estados-Membros apelaram à criação de um quadro de curto prazo para otimizar a capacidade e a eficiência das refinarias europeias, a FuelsEurope sublinhou a necessidade de uma estratégia mais abrangente e duradoura para o setor.
No comunicado divulgado a 19 de outubro, a associação europeia destacou que esta iniciativa, juntamente com o Diálogo Estratégico sobre a Refinação anunciado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, representa uma oportunidade para colocar a indústria da refinação no centro das políticas europeias de competitividade, segurança energética e transição climática.
Segundo Liana Gouta, diretora-geral da FuelsEurope, o reconhecimento da importância de um setor da refinação robusto constitui um sinal positivo, mas é fundamental assegurar condições que permitam às refinarias europeias continuar a operar, investir na sua transformação e manter-se competitivas a longo prazo.
A FuelsEurope recorda que as refinarias europeias desempenham um papel essencial no abastecimento de combustíveis e outros produtos indispensáveis aos transportes, à indústria e à defesa. Paralelamente, o setor está a investir no desenvolvimento de combustíveis renováveis e de baixo carbono, produzidos a partir de matérias-primas sustentáveis e de CO2 reciclado, contribuindo para a descarbonização e para a redução das dependências externas.
A associação alerta ainda que a perda de capacidade de refinação na Europa poderá comprometer a segurança do abastecimento, a resiliência industrial e a preparação do setor da defesa, aumentando a dependência de produtos importados.
Neste contexto, a FuelsEurope defende que o Diálogo Estratégico anunciado pela Comissão Europeia deve ultrapassar as respostas imediatas aos elevados preços da energia e dos combustíveis, promovendo um enquadramento que assegure a viabilidade económica das refinarias, a competitividade internacional, o investimento, a inovação e a descarbonização.
Para a FuelsEurope, preservar e transformar a capacidade de refinação existente na Europa é essencial para garantir a autonomia estratégica da União Europeia e conciliar segurança energética, competitividade industrial e objetivos climáticos.
Fonte: FuelsEurope, comunicado de 19 de outubro de 2026 — “European Council puts refining in the spotlight, but a short-term framework is not a strategic approach”.