
A indústria europeia de refinação e fabrico de combustíveis enviou uma carta ao Primeiro-Ministro português a alertar para a necessidade de decisões políticas urgentes que garantam a competitividade de um setor considerado estratégico para a economia, a segurança energética e a soberania europeias
No documento, o setor sublinha que a refinação é essencial para a mobilidade, defesa, agricultura, indústria química e múltiplas cadeias de valor, sendo responsável por cerca de 97% da energia utilizada nos transportes e praticamente 100% nas operações de defesa e maquinaria pesada - Não existem, à escala necessária, alternativas que substituam estes produtos em todas as aplicações
Desde 2009, encerraram 35 refinarias na Europa, reduzindo em 20% a capacidade instalada. A Europa é já importadora líquida de combustível de aviação e gasóleo, enfrentando custos energéticos e de carbono elevados, bem como crescente pressão regulatória
Sem correções ao atual enquadramento, os investimentos necessários à transição energética poderão ser realizados fora da Europa, aumentando a dependência externa. Entre as propostas apresentadas destacam-se o reforço dos mecanismos de proteção contra a fuga de carbono, a redução do fardo regulatório, a garantia de neutralidade tecnológica e a criação de um Diálogo Estratégico de alto nível sobre o futuro das refinarias europeias.
A Europa não conseguirá cumprir as suas metas climáticas nem assegurar autonomia estratégica sem uma indústria de refinação forte e competitiva.