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15/01/2026

Reconhecimento de combustíveis renováveis nas normas de CO2 é insuficiente, alertam fabricantes de combustíveis

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A FuelsEurope publicou, no dia 12 de janeiro de 2026, um comunicado que analisa a recente proposta da Comissão Europeia para a revisão dos padrões de emissões de CO2 para veículos ligeiros, concluindo que o reconhecimento dos combustíveis renováveis no novo quadro legislativo é insuficiente para gerar impactos reais na descarbonização do transporte rodoviário. 

Pela primeira vez, a proposta reconhece que os combustíveis renováveis — incluindo biocombustíveis e e-combustíveis (e-fuels) — devem poder contribuir para a redução de emissões de CO2 nos automóveis novos para além de 2035. Apesar deste avanço, a associação considera que o reconhecimento em si não se traduz em resultados concretos no terreno. 

De acordo com a análise da FuelsEurope, o texto legislativo apresenta várias limitações que comprometem o papel que os combustíveis renováveis poderiam desempenhar: 

  • Os combustíveis renováveis são incluídos num mecanismo de compensação altamente restritivo, limitado a apenas 3%, o que reduz drasticamente a sua contribuição potencial para a redução de emissões. 
  • A proposta omitiu a criação de uma nova categoria de veículos que circulam exclusivamente com combustíveis neutros em CO2, algo que estava previsto inicialmente. 
  • A abordagem continua centrada no método “tailpipe” (apenas nas emissões da utilização), definindo os veículos de “zero emissões” exclusivamente como elétricos ou a hidrogénio, o que impede a indústria automóvel de aproveitar plenamente os combustíveis renováveis para cumprir os seus objetivos de descarbonização
  • Não existe, atualmente, um sinal claro de longo prazo que incentive investimentos na produção de combustíveis renováveis na Europa

Liana Gouta, Diretora-Geral da FuelsEurope, afirmou que “o relógio está a avançar não só para a competitividade da indústria automóvel, mas também para o futuro e as perspetivas da indústria de produção de combustíveis na sua progressiva transição para produzir combustíveis renováveis, que hoje e no futuro continuarão a ser estratégicos para a segurança de abastecimento da UE”. 

A associação apresentou várias recomendações aos legisladores europeus para reforçar a proposta, defendendo que devem ser consideradas as seguintes medidas: 

  • A introdução de uma nova classe de veículos — a incluir na definição de veículos de zero emissões — que funcionem exclusivamente com combustíveis neutros em CO2 após 2035; 
  • A eliminação do limite de 3% para a contribuição dos combustíveis renováveis nas normas de CO2
  • O reconhecimento das poupanças de gases com efeito de estufa (GHG) provenientes de combustíveis renováveis, elegíveis ao abrigo da Diretiva de Energias Renováveis (RED), como neutros em CO2 para efeitos dos créditos de combustível, restaurando a coerência com outras legislações ambientais da UE. 

Para além de apoiar a descarbonização do transporte rodoviário, um quadro mais ambicioso para os combustíveis renováveis pode estimular investimentos em novas tecnologias e infra-estruturas, fortalecer a competitividade industrial europeia e contribuir para a redução das emissões em setores difíceis de eletrificar, como o transporte pesado, o marítimo, e a aviação. 

A EPCOL, em colaboração com a FuelsEurope, continuará a acompanhar de perto este debate legislativo na União Europeia, defendendo soluções que promovam uma transição energética eficaz, tecnologicamente aberta e que permita maximizar o potencial dos combustíveis renováveis na redução das emissões de CO2.