O WEF - World Economic Forum acaba de publicar um relatório intitulado “Fuelling the Future: How business, Finance and Policy can accelerate the Clean Fuels Market”, no qual se evidencia o papel essencial dos combustíveis sustentáveis para o futuro da energia, bem como para o facto da sua concretização exigir uma ação conjunta dos governos, produtores, distribuidores e consumidores.
No formato de um "White Paper", o relatório do WEF destaca (por tópicos) o seguinte:
- Os combustíveis sustentáveis (Clean Fuels) são já hoje um pilar estratégico para um sistema energético mais seguro, acessível e sustentável, especialmente porque os combustíveis líquidos e gasosos ainda representam uma grande parte da procura energética e utilizam infraestruturas existentes;
- Os combustíveis sustentáveis podem ajudar a reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera no curto prazo, utilizando os ativos já existentes e as cadeias de valor estabelecidas. São também uma ferramenta crítica para reduzir emissões em setores dependentes de combustíveis, como o dos transportes pesados e a indústria, onde a densidade energética, a capacidade de armazenamento, as propriedades químicas e a compatibilidade com as infraestruturas tornam as moléculas a opção mais competitiva, ou mesmo a única disponível;
- Os combustíveis sustentáveis continuam a representar uma parte importante do mix energético na maioria dos cenários de transição;
- Adopta uma definição ampla para “combustíveis sustentáveis” (biocombustíveis, e-fuels, derivados de hidrogénio e combustíveis de baixo carbono);
- Designa a falta de investimento como o problema central: com base num artigo recente da IEA, o WEF estima que os investimentos globais em combustíveis sustentáveis terão de quadruplicar até 2030 para corresponder às ambições da transição energética e criar um pipeline de projetos financeiramente viáveis.
- Identificada três alavancas para desbloquear investimentos (i. políticas previsíveis e de longo prazo, ii. colaboração público-privada e iii. medidas de apoio empresarial), juntamente com quatro áreas de foco coletivo (i. conceção de políticas que incentivem a concorrência, ii. desenvolver projetos com prioridades regionais, iii. construir parcerias ao longo da cadeia de valor, iv. promover colaborações de financiamento).
- Custos: os combustíveis sustentáveis continuam (e continuarão) a ser mais caros do que os fósseis. No entanto, quando o seu valor social mais amplo é incorporado (incluindo segurança energética, benefícios económicos e ambientais), podem tornar-se competitivos ao nível do sistema.
Para além da proteção climática: os combustíveis sustentáveis podem reforçar a segurança energética, incluindo a redução da dependência das importações, e apoiar empregos/desenvolvimento económico, sobretudo nas áreas rurais, pois tem uma intensidade de emprego em comparação com os setores de combustíveis convencionais, 2 a 3 vezes superior.
Os combustíveis sustentáveis – principalmente líquidos ou gasosos, que vão desde os biocombustíveis aos derivados de hidrogénio e aos combustíveis fósseis com menores emissões de carbono – podem oferecer múltiplas fontes de valor económico e social. Diversificam o fornecimento de energia e reduzem a exposição à volatilidade dos mercados de combustíveis fósseis, utilizando recursos amplamente disponíveis, como os resíduos orgânicos e as energias renováveis.
A produção de biocombustíveis permitiu a vários países importadores líquidos de combustíveis fósseis reduzir a sua dependência das importações em 5% a 15%.
Perante a crescente procura global de energia e a evolução da dinâmica geopolítica, os combustíveis sustentáveis são um pilar fundamental para um sistema energético mais seguro, acessível e sustentável. Responsáveis por 56% do consumo energético atual ,os combustíveis líquidos e gasosos são especialmente importantes nos setores dos transportes e da indústria e, mesmo com o rápido crescimento da eletrificação, continuarão a representar 40% a 55% da procura energética em 2050,